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Kalliana
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« Responder #1 em: Dom, 20/06/2004 - 19:26 » |
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Dança No Xamanismo - Parte I
Todas as experiências xamanicas de iniciação implicam numa desautomatização da consciência corrente. Uma técnica xamânica pode ser qualquer coisa que rompa e desoriente o fluxo normal dos pensamentos, a vivência habitual das emoções e os processos fisiológicos comuns, e logo produz um novo modelo rítmico. Em todo mundo, as escolas esotéricas e espirituais, as sociedades secretas, as ordens de curandeiros e outras empregam essas técnicas.
A dança é uma maneira de reestruturar a consciência e desse modo, ingressar noutro mundo. Desafortunadamente, em nossa cultura, tem-se profanado, em grande parte, a dança e sua relação com estados alternativos de consciência é, no melhor dos casos, tão só rudimentar.
A dança invólucro a todo o corpo, o deixa a mercê do ritmo de uma canção e o som dos tambores. Estamos só nos começos do estudo dos alcances do ritmo musical no que se refere as ondas cerebrais e ao fazê-lo, de provocar um estado alterado de consciência. De todas as formas, o baile incessante interrompe o fluxo do pensamento discursivo que dá origem às ideias, recordações e sensações.
Os ritmos monótonos e os movimentos do baile sincronizam e harmonizam os fragmentos e associações de pensamentos confusos e desorganizados. Desta maneira assenta-se a consciência. Converte-se em um pote vazio sobre o que pode reflectir objectos de percepção e elementos inconscientes e intuitivos da experiência que em geral está reprimindo, amontoados ou bloqueados por nosso caótico e incessante fluxo de pensamentos. A dança é uma das maneiras mais antigas e mais eficientes de produzir este tipo de claridade, esta purificação da consciência. Ao ver desta forma, o baile em transe pode estender-se como um método deliberado de treinamento que combinado a outro, guia o aprendiz xamânico a salvo até o reino das visões.
A dança assume um papel muito importante no treinamento xamânico.
As pessoas que entram em estados alterados de consciência estão impregnadas por algo, que pode ser chamado de "ritmo vital" uma espécie de vitalidade cósmica que até agora não foi objecto de uma investigação científica, e segundo muitos mitos e religiões se encontra na origem de todos os processos vitais.
As ideias e crenças da maior parte das culturas tribais baseiam-se na grande quantidade de energias e forças muito variadas que a visão do mundo apenas reconhece e admite. Aquele xamã que sente o poder do Criador fluir através dele é incompreensível.
No geral, o xamã recebe este poder criativo através de um meio determinado - o raio, um objecto de poder, uma visão, espíritos auxiliares, cristais, fenômenos luminosos, mas também através da canção e da dança.
No xamanismo existe a "Dança do Animal". Os xamãs e praticantes podem deixar aflorar o poder do animal, através de uma dança, onde é permitido que os animais se expressem através de seus corpos, e de suas cordas vocais.
Harner coloca que dançar para o animal é uma forma de mantê-lo satisfeito e assim fazer com que ele não pense em nos abandonar. Acrescenta ainda que assim como um homem deseja sentir a realidade não comum, o espírito guardião sente prazer entrando no corpo do ser humano.
Segundo Mircea Eliade durante a iniciação xamânica, o futuro xamã deve conhecer a linguagem secreta dos espíritos animais.
Com frequência a linguagem secreta tem sua origem na imitação dos gritos dos animais. Imitar a voz dos animais, utilizar sua linguagem secreta durante uma sessão, é uma ferramenta para o xamã circular livremente pelas zonas cósmicas.
Dançar o animal durante uma sessão é mais que uma possessão, na verdade é uma transformação mágica de um xamã no animal. Uma das outras formas usadas era a máscara
Os índios americanos acreditam que os animais foram os primeiros a caminhar pela terra, e que cada um tem sua medicina específica para ajudar o homem. Uma das formas nativas para invocar o animal é adornar-se com penas e peles, pintando seus rostos para lembrar o animal e movimentando-se como eles. Americanos nativos imitando animais em dança ritual estabelecem elos com o reino do espírito.
O animal também pode ser invocado, imitando igualando o seu comportamento. (Dança Animal) Dessa forma nos alinhamos com as suas energias, e chamamos o seu espírito até nós. Nós podemos agir como animais, fazer sons, convidando-os a trazerem seus poderes até nós.
Podemos rondar e urrar como um Leão, assim que invocamos o seu espírito. Podemos espalhar nossos braços e voar como uma Águia. Rastejar como uma serpente.
No xamanismo realizasse um ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da "Dança do Animal", uma outra forma de evocação, unificando o animal de poder com o dançarino . No xamanismo, os praticantes costumam, também ter as suas canções, para evocar o poder dos animais.
Dançar é uma forma poderosa de honrar seu animal. Desenvolva a mímica de seus movimentos. Guardando-o vivo dentro de sua imaginação. Você poderá um dia ver o seu animal no seu próprio rosto, sentir sensações físicas. Por exemplo: Quando está bem sintonizado com o coiote, poderá sentir seu nariz alongando como se fosse um focinho.
Dançando Um Espírito Animal
Este ritual libera emoções e nos ajuda na conexão com nossos ancestrais, trabalhando com a parte primitiva de nossa energia, para que possamos compreender melhor a natureza.. Elimina estresse, elimina bloqueios corporais, estimula a criatividade.
a.. Cerimónia de limpeza. b.. Comece respirando profundamente até você sentir-se calmo e centrado. Faça a prece do animal e convide-o para viver e dançar com você. c.. Comece movendo-se espontaneamente ao som de um maracá ou tambor em quatro tempos. Enquanto você se move pode cantar a canção, orar e consultar o animal para dançar com e em você. d.. Movimente-se em roda no sentido horário. Mentalize que as forças do Universo estão prontas para te ajudar. As quatro direcções (fogo, terra, água, ar), todas as nossas relações, o Reino Animal, o Céu, o Sol, a Lua, as Estrelas, todos os Reinos. Dançando você dá provas de tua sinceridade, humildade aos animais de poder. Dançar é um caminho para orar, de evocar a simpatia dos espíritos animais. e.. Comece a visualiza-lo, e sinta que o animal chega até você. Enquanto você dança mova-se e vocalize como o animal. Permita-o falar através de você e com você. Você poderá sentir a sua energia em seu corpo, relaxe se isso acontecer também é normal. Deixe que o animal se expresse por si mesmo através de sua dança. Você poderá perceber-se algumas vezes movendo e vocalizando como você mesmo e também algumas vezes como o animal. Sinta as emoções do animal. Sendo e vendo o animal é o estado xamânico de consciência. Nesse trabalho poderá sentir as energias do animal falando para o seu coração e para a sua mente. Estabeleça um diálogo enquanto você está nesse espaço receptivo. f.. Observe símbolos, sinais, que virão com a sua dança. g.. Agradeça o animal ao final Ao invés de usar todo o adorno do animal, também podemos usar uma peça qualquer para invocar as suas forças, uma pena, uma fita, um desenho. No início você poderá ficar um pouco preso, mas dance, futuramente poderá vencer essa vergonha na presença e nas lições do animal. Quando você estiver mais acostumado poderá dançar em grupo, o que traz mais estímulo e deixa a dança mais forte.
O trabalho deve ser o tempo inteiro marcado por sons de tambores ou maracás..
A união de ambos é ainda mais desejável. Uma pessoa para tocar o tambor, e o participante com o maracá.
Quando nós dançamos como os animais, nos colocamos na mesma frequência que eles. Criamos ressonância, nos alinhamos.
O iniciado não só baila na Terra. Em nossa realidade, entrando em transe ele baila em outro mundo, em outro estado de consciência. Nestas festividades, aprendem-se canções que o traz de volta a Terra, as canções expressam seu poder xamânico e mediante a elas se transporta novamente àquilo que experimentou na iniciação.
As danças e canções dos festivais são de uma ordem existencial diferente das canções e danças correntes. Aqui a própria vida se experimenta como uma exaltação eterna, como uma dança e um ritmo eterno, um som que ecoa sem cessar.
Para o iniciado a vida é uma melodia vibrante, sincronizada em harmonia. O xamã trabalha com este sentimento de compartilhar o ritmo da dança cósmica dos campos de energia que constituem a fonte, a matriz de toda a matéria.
Em essência, este processo de compartilhar é o que converte o xamã no que é. O baile , a canção e o movimento é igual ao ar. É uma maneira antiga de troca física e psíquica e de abrir a vivência para novos reinos de existência, mediante um processo de liberação. Apesar de tão antigos, são forças eficazes e aplicáveis para hoje.
Em nossa civilização, o baile e a canção ocupam um papel menor, não são feitos com êxtase. Carecem de uma intensidade e concentração para quem deseja explorar mundos profundos.
Segundo Alix de Montal:
"A dança xamânica faz rebentar os vínculos da razão e do corpo. É uma dança de poder que organiza o espaço e ritma o tempo de modo que a alma, após o corpo, se ponha em movimento. Dizer da dança sagrada que ela induz a uma alteração do estado de consciência implica uma evidência inexplicável. Quer se pense nos dervixes sufis, na dança de Shiva dos iogues, no Tchod Tibetano, na Dança dos Fantasmas dos Sioux e mesmo no delírio dionisíaco das bacantes da Grécia Antiga, todas constituem a expressão de uma sublimação. No pensamento arcaico, os movimentos rítmicos, o caminhar em círculo, a dança de roda eram uma réplica da abóbada circular do céu e do ciclo das existências. A dança assinalou a comunhão sagrada do homem com os demiurgos, a marcha para o ponto onde se junta o céu e a terra. A princípio, a dança xamânica é a revelação dolorosa do corpo, uma dança "a extracorpos: longe dos movimentos rituais e harmoniosos que se poderiam esperar, ela é "quebrada", convulsiva, como se cada um de seus movimentos não tivesse outra finalidade senão deslocar o corpo. O dançarino está totalmente imerso durante no instante, e pouco a pouco o ritmo que ele impõe torna-se irreversível e determinante. a vontade perde parcialmente o domínio dos membros e, no momento em que a dança poderia existir tão somente por ela mesma, o corpo se esquece e desaparece. Essa dança corresponde à definição dos "espasmos clônicos", isto é, violentos estados de contração e descontração dos músculos que podem vergar o corpo e jogá-lo brutalmente ao chão. Em transe, o xamã pode ainda ver e saber o que se passa à sua volta, mas seu corpo inerte está desprovido de sensações. Só o tambor continua a ressoar, para levar ainda mais longe um viajante pelo qual ninguém mais responde. e, é então que tem início o grande momento religioso da sessão.
Autoria de Léo Artése
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