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Autor Tópico: O xamã e o xamanismo  (Lida 1879 vezes)
Kalliana
Visitante

« em: Qui, 13/05/2004 - 23:08 »

O xamã e o xamanismo


O xamã é um ser sem regras, não sabe o que vai encontrar em seu caminho. Cada dia, cada momento vive para descobrir o maravilhoso e o horripilante. De uma ou de outra forma sabe que ambas são faces de sua própria visão. Não se apega porque sabe que tudo muda, que tudo é impermanente e se deleita com o desconhecido. O tédio não é parte de sua vida... Seu corpo é frágil porque lida com forças terríveis e magnificentes.

Observa o universo como seu Pai e a Terra como sua Mãe...

Vive em completo desapego, até o ponto de ser odiado... Odiado por não dar importância ao que os demais dão importância. O xamã sabe e só sorri, só olha, só observa.

O xamã é produto do amadurecimento de um coração. Do amadurecimento do espírito. Somente um coração maduro entra no caminho do xamã e, uma vez que se entra, se dá conta de que o mesmo caminho, cedo ou tarde, fará com que seu coração desapareça na imensidão do coração desse maravilhoso universo.

O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da humanidade. Hoje médicos, advogados, donas de casa, psicólogos, espiritualistas, místicos, estudantes, executivos, e pessoas das mais variadas crenças estão estudando e aplicando o xamanismo.

Os rápidos resultados, introvisões de profundo significado, o contacto com realidades ocultas, a obtenção de auto-conhecimento, a busca do poder pessoal, contribuem para o interesse nas práticas.

O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais. Sua prática estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde.

Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.

O xamã pode ser homem ou mulher. É o mago, o curandeiro, o bruxo, o médico, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual, etc.. Ele é o explorador da consciência humana. O praticante é levado a sair do torpor convencional, reconhecendo os seus limites, a sua limitada visão pessoal do mundo, buscando um plano mais universal.

Através de um chamado interior ele vive um confronto existencial que o força a sair de uma zona de conforto, do falso brilho, da alienação.

Reforçando a coragem e a determinação, o praticante mobilizado por visões, introvisões e vivências, expande a sua consciência, podendo processar transformações de profundas proporções na sua vida. O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta.

Praticar xamanismo é ir em busca da excelência espiritual, é enxergar a realidade existente por trás dos conceitos, é se harmonizar com as marés naturais da vida. É trilhar o Caminho Sagrado, atravessando os portais da mente, das emoções, do corpo e do espírito.

A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o "Espírito Essencial" que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. Ele sabe quem ele é , e como se relaciona com o Universo. O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante, e provém do desenvolvimento de seus próprios dons.

Hoje, no Planeta, a vibração está mais alta do que nunca. As pessoas se preocupam cada vez mais com o autoconhecimento e fazem a si mesmo uma pergunta : " O que eu realmente devo fazer na vida ? "

Nesta busca deparam-se com barreiras, seja com relacionamentos, trabalho, saúde, carreira e etc.. O maior obstáculo para o crescimento é a inércia, que cria a insensibilidade, pois priva o indivíduo de novas possibilidades, cria passividade com relação à vida. Cria falta de vitalidade, limita a criatividade e predispõe ao papel de vítima. A consciência se limita a fugir, a ter medo. A vítima fica sempre vivendo as sombras do passado e com medo do futuro.

As práticas xamânicas compelem a mente a viver dentro do coração, até que a mente ignorante seja destruída. Isso se manifesta quando o ser se revela espontaneamente.

Na verdade, o antigo modo de viver acaba, abrindo caminho para um jeito mais consciente.

Quando se aproxima o verdadeiro propósito da alma, tudo da natureza interior vem a tona. A pessoa entra em um processo mais rápido de transformação pessoal. Quando convidamos o amor para despertar poderes mais profundos, trabalhar nos desafios torna-se uma aventura.

O praticante explora a estrutura de sua própria consciência e vai compreendendo como os fatos acontecem na sua vida, deixando de ser vítima das circunstâncias. Sente-se inspirado pelos desafios e aprende a utilizar a energia de forma a caminhar no Amor - Paz e Luz.

Praticando a sabedoria das antigas tradições adaptadas ao mundo atual e ao estado atual da alma humana, o trabalho é feito com tambores, canções, meditações, instrumentos de poder, danças, respirações, visualizações, estórias, vivências e muito, muito amor.

 

Excertos de várias fontes sem autoria
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Kalliana
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« Responder #1 em: Dom, 20/06/2004 - 19:26 »

Dança No Xamanismo - Parte I


     Todas as experiências xamanicas de iniciação implicam  numa desautomatização da consciência corrente. Uma técnica xamânica pode ser qualquer coisa que rompa e desoriente o fluxo normal dos pensamentos, a vivência habitual das emoções e os processos fisiológicos comuns, e logo produz um novo modelo rítmico. Em todo mundo, as escolas esotéricas e espirituais, as sociedades secretas, as ordens de curandeiros e outras empregam essas técnicas.

    A dança é uma maneira de reestruturar a consciência e desse modo, ingressar noutro mundo. Desafortunadamente, em nossa cultura, tem-se profanado, em grande parte, a dança e sua relação com estados alternativos de consciência é, no melhor dos casos, tão só rudimentar.

    A dança invólucro a todo o corpo, o deixa a mercê do ritmo de uma canção e o som dos tambores. Estamos só nos começos do estudo dos alcances do ritmo musical no que se refere as ondas cerebrais e ao fazê-lo, de provocar um estado alterado de consciência. De todas as formas, o baile incessante interrompe o fluxo do pensamento discursivo que dá origem às ideias, recordações e sensações.

    Os ritmos monótonos e os movimentos do baile sincronizam e harmonizam os fragmentos e associações de pensamentos confusos e desorganizados. Desta maneira assenta-se a consciência. Converte-se em um pote vazio sobre o que pode reflectir objectos de percepção e elementos inconscientes e intuitivos da experiência que em geral está reprimindo, amontoados ou bloqueados por nosso caótico e incessante fluxo de pensamentos. A dança é uma das maneiras mais antigas e mais eficientes de produzir este tipo de claridade, esta purificação da consciência. Ao ver desta forma, o baile em transe pode estender-se como um método deliberado de treinamento que combinado a outro, guia o aprendiz xamânico a salvo até o reino das visões.

    A dança assume um papel muito importante no treinamento xamânico.

    As pessoas que entram em estados alterados de consciência estão impregnadas por algo, que pode ser chamado de "ritmo vital"  uma espécie de vitalidade cósmica que até agora não foi objecto de uma investigação científica, e segundo muitos mitos e religiões se encontra na origem de todos os processos vitais.

    As ideias e crenças da maior parte das culturas tribais baseiam-se na grande quantidade de energias e forças muito variadas que a visão do mundo apenas reconhece e admite. Aquele xamã que sente o poder do Criador fluir através dele é incompreensível.

    No geral, o xamã recebe este poder criativo através de um meio determinado - o raio, um objecto de poder, uma visão, espíritos auxiliares, cristais, fenômenos luminosos, mas também através da canção e da dança.

    No xamanismo existe a "Dança do Animal". Os xamãs e praticantes podem deixar aflorar o poder do animal, através de uma dança, onde é permitido que os animais se expressem através de seus corpos, e de suas cordas vocais.

    Harner coloca que dançar para o animal é uma forma de mantê-lo satisfeito e assim fazer com que ele não pense em nos abandonar. Acrescenta ainda que assim como um homem deseja sentir a realidade não comum, o espírito guardião sente prazer entrando no corpo do ser humano.

    Segundo Mircea Eliade durante a iniciação xamânica, o futuro xamã deve conhecer a linguagem secreta dos espíritos animais.

    Com frequência a linguagem secreta tem sua origem na imitação dos gritos dos animais. Imitar a voz dos animais, utilizar sua linguagem secreta durante uma sessão, é uma ferramenta para o xamã circular livremente pelas zonas cósmicas.

    Dançar o animal durante uma sessão é mais que uma possessão, na verdade é uma transformação mágica de um xamã no animal.  Uma das outras formas usadas era a máscara

    Os índios americanos acreditam que os animais foram os primeiros a caminhar pela terra, e que cada um tem sua medicina específica para ajudar o homem. Uma das formas nativas para invocar o animal é adornar-se com penas e peles, pintando seus rostos para lembrar o animal e movimentando-se como eles. Americanos nativos imitando animais em dança ritual estabelecem elos com o reino do espírito.

    O animal também pode ser invocado, imitando igualando o seu comportamento.  (Dança Animal) Dessa forma nos alinhamos com as suas energias, e chamamos o seu espírito até nós. Nós podemos agir como  animais, fazer sons, convidando-os a trazerem  seus poderes até nós.

    Podemos rondar e urrar como um Leão, assim que invocamos o seu espírito. Podemos espalhar nossos braços e voar como uma Águia. Rastejar como uma serpente.

    No xamanismo realizasse um ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da "Dança do Animal", uma outra forma de evocação, unificando o animal de poder com o dançarino .  No xamanismo, os praticantes costumam, também ter as suas canções, para evocar o poder dos animais.

    Dançar é uma forma poderosa de honrar seu animal. Desenvolva a mímica de seus movimentos. Guardando-o vivo dentro de sua imaginação. Você poderá um dia ver o seu animal no seu próprio rosto, sentir sensações físicas. Por exemplo: Quando está bem sintonizado com o coiote, poderá sentir seu nariz alongando como se fosse um focinho.


Dançando Um Espírito Animal

    Este ritual libera emoções e nos ajuda na conexão com nossos ancestrais, trabalhando com a parte primitiva de nossa energia, para que possamos compreender melhor a natureza.. Elimina estresse, elimina bloqueios corporais, estimula a criatividade.

  a.. Cerimónia de limpeza.
  b.. Comece respirando profundamente até você sentir-se calmo e centrado. Faça a prece do animal e convide-o para viver e dançar com você.
  c.. Comece movendo-se espontaneamente ao som de um maracá ou tambor em quatro tempos. Enquanto você se move pode cantar a canção, orar e consultar o animal para dançar com e em você.
  d.. Movimente-se em roda no sentido horário. Mentalize que as forças do Universo estão prontas para te ajudar. As quatro direcções (fogo, terra, água, ar), todas as nossas relações, o Reino Animal, o Céu, o Sol, a Lua, as Estrelas, todos os Reinos. Dançando você dá provas de tua sinceridade, humildade aos animais de poder. Dançar é um caminho para orar, de evocar a simpatia dos espíritos animais.
  e.. Comece a visualiza-lo, e sinta que o animal chega até você. Enquanto você dança mova-se e vocalize como o animal. Permita-o falar através de você e com você. Você poderá sentir a sua energia em seu corpo, relaxe se isso acontecer também é normal. Deixe que o animal se expresse por si mesmo através de sua dança. Você poderá perceber-se algumas vezes movendo e vocalizando como você mesmo e também algumas vezes como o animal. Sinta as emoções do animal. Sendo e vendo o animal é o estado xamânico de consciência. Nesse trabalho poderá sentir as energias do animal falando para o seu coração e para a sua mente. Estabeleça um diálogo enquanto você está nesse espaço receptivo.
  f.. Observe símbolos, sinais, que virão com a sua dança.
  g.. Agradeça o animal ao final
   
    Ao invés de usar todo o adorno do animal, também podemos usar uma peça qualquer para invocar as suas forças, uma pena, uma fita, um desenho.
    No início você poderá ficar um pouco preso, mas dance, futuramente poderá vencer essa vergonha na presença e nas lições do animal. Quando você estiver mais acostumado poderá dançar em grupo, o que traz mais estímulo e deixa a dança mais forte.

    O trabalho deve ser o tempo inteiro marcado por sons de tambores ou maracás..

    A união de ambos é ainda mais desejável. Uma pessoa para tocar o tambor, e o participante com o maracá.

    Quando nós dançamos como os animais, nos colocamos na mesma frequência que eles. Criamos ressonância, nos alinhamos.

    O iniciado não só baila na Terra. Em nossa realidade, entrando em transe ele baila em outro mundo, em outro estado de consciência. Nestas festividades, aprendem-se canções que o traz de volta a Terra, as canções expressam seu poder xamânico e mediante a elas se transporta novamente àquilo que experimentou na iniciação.

    As danças e canções dos festivais são de uma ordem existencial diferente das canções e danças correntes. Aqui a própria vida se experimenta como uma exaltação eterna, como uma dança e um ritmo eterno, um som que ecoa sem cessar.

    Para o iniciado a vida é uma melodia vibrante, sincronizada em harmonia. O xamã trabalha com este sentimento de compartilhar o ritmo da dança cósmica dos campos de energia que constituem a fonte, a matriz de toda a matéria.

    Em essência, este processo de compartilhar é o que converte o xamã no que é. O baile , a canção e o movimento é igual ao ar. É uma maneira antiga de troca física e psíquica e de abrir a vivência para novos reinos de existência, mediante um processo de liberação. Apesar de tão antigos, são forças eficazes e aplicáveis para hoje.

    Em nossa civilização, o baile e a canção ocupam um papel menor, não são feitos com êxtase. Carecem de uma intensidade e concentração para quem deseja explorar mundos profundos.


Segundo Alix de Montal:

    "A dança xamânica faz rebentar os vínculos da razão e do corpo. É uma dança de poder que organiza o espaço e ritma o tempo de modo que a alma, após o corpo, se ponha em movimento.
    Dizer da dança sagrada que ela induz a uma alteração do estado de consciência implica uma evidência inexplicável. Quer se pense nos dervixes sufis, na dança de Shiva dos iogues, no Tchod Tibetano, na Dança dos Fantasmas dos Sioux e mesmo no delírio dionisíaco das bacantes da Grécia Antiga, todas constituem a expressão de uma sublimação. No pensamento arcaico, os movimentos rítmicos, o caminhar em círculo, a dança de roda eram uma réplica da abóbada circular do céu e do ciclo das existências. A dança assinalou a comunhão sagrada do homem com os demiurgos, a marcha para o ponto onde se junta o céu e a terra.
    A princípio, a dança xamânica é a revelação dolorosa do corpo, uma dança "a extracorpos: longe dos movimentos rituais e harmoniosos que se poderiam esperar, ela é "quebrada", convulsiva, como se cada um de seus movimentos não tivesse outra finalidade senão deslocar o corpo. O dançarino está totalmente imerso durante no instante, e pouco a pouco o ritmo que ele impõe torna-se irreversível e determinante. a vontade perde parcialmente o domínio dos membros e, no momento em que a dança poderia existir tão somente por ela mesma, o corpo se esquece e desaparece.
    Essa dança corresponde à definição dos "espasmos clônicos", isto é, violentos estados de contração e descontração dos músculos que podem vergar o corpo e jogá-lo brutalmente ao chão. Em transe, o xamã pode ainda ver e saber o que se passa à sua volta, mas seu corpo inerte está desprovido de sensações.
    Só o tambor continua a ressoar, para levar ainda mais longe um viajante pelo qual ninguém mais responde. e, é então que tem início o grande momento religioso da sessão.

 

Autoria de Léo Artése
Registado
Kalliana
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« Responder #2 em: Dom, 20/06/2004 - 19:28 »

Dança No Xamanismo - Parte II
 
 
   Prosseguindo com Alix de Montal:

   "Quem sabe a dança, vive em Deus", dizia o grande poeta sufista Rumi. Para a dança, parece não haver outra receita senão a de ver: a dança extática só leva em conta a idade do xamã no tocante ao peso de sua roupa: ela tem um carácter espontâneo, individual, livre de qualquer coreografia premeditada, e assemelha-se mais a um "não fazer" do corpo do que a um balé artístico.

    Dançando, o xamã esgota sua resistência muscular e nervosa até que, não comandando mais nada, o espírito se liberta do corpo. É provável que alguns movimentos violentos e as contorções que cortam a respiração acelerem a oscilação numa outra forma de atenção. Por diversas vezes, Castañeda recebe de Dom Juan um golpe, dado com o lado da mão, entre os omoplatas: e de cada vez esse choque doloroso modifica-lhe instantaneamente a visão do mundo. Não se trata aqui de um verdadeiro transe, mas antes uma experiência de destruição da realidade muito semelhante àquela provocada por enteógenos.

    Entre as faculdades "fora do comum" dos xamãs, mencionamos sua memória: sua capacidade de memorizar perfeitamente não apenas o que pertence à consciência ordinária mas também suas experiências extáticas. Essa memória extra-sensorial poderia permitir-lhe recriar a cada vez as condições do transe e seus sintomas, por uma espécie de condicionamento de estimulação física. Nesse caso quanto mais frequente fosse a experiência de estado alterado de consciência, mais ela se revelaria familiar e necessária. Algo como imagens - ou melhor, sensações - percebidas sobre efeitos de enteógenos pode ressurgir depois na realidade ordinária e impor-se à consciência, mas de maneira incontrolada.

    Desencadear à vontade o transe extático, a grande viagem da alma, é muito mais simples de dizer do que conceber...salvo se o entendermos como a superação total do si mesmo e se virmos na dança o meio de "varrer a ilha do tonal ". Pode-se, enfim, imaginar a dança como descrevendo a vida do guerreiro, cujo movimento é um poder suplementar adquirido sobre o mundo. Se o guerreiro dança realmente bem, ele pode reter a morte por um breve momento.     Vejam abaixo trechos que Dom Juan falou para Castañeda em A Viagem à Ixtlan:

    "Cada guerreiro possui uma forma especial, uma posição particular de poder, que ele desenvolveu através de sua vida. É uma espécie de dança, um movimento que ele realizou sob a influência do poder.
    Se um guerreiro agonizante tem poder limitado, sua dança é curta, mas aquele que tem um poder considerável executa uma dança magnífica. pouco importa, contudo, que ela seja curta ou grandiosa: a morte tem de parar para assistir ao espetáculo da última dança do guerreiro. A morte não pode arrebatar um guerreiro que recapitula pela última vez os fatos de sua vida enquanto ele não tiver terminado sua dança.

    ....Assim, você vai dançar sua morte sobre esta colina no fim do dia. E no curso da sua última dança vai contar seu combate, as batalhas que você ganhou e aquelas que perdeu; vai falar de suas alegrias e de seu pasmo quando encontrou o poder pessoal. Sua dança há de expressar os segredos e as maravilhas que você armazenou. E aqui sentada, a morte ficará assistindo.

    O pôr-do-sol há de iluminar você sem queimá-lo, tal como fêz hoje.. O vento há de ser suave e brando, e sua colina estremecerá. Quando você acabar sua dança, olhará para o sol, pois nunca mais, desperto ou sonhando, há de revê-lo. E então sua morte mostrará o sul, a imensidão."




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« Responder #3 em: Dom, 27/09/2009 - 15:12 »


Olá amigos utilizei este tópico para falar de mimética já que uma das artes do xamanismo é "desmontar" a parte social da percepção...

Conceitos
                                                                          MIMÉTICA

Para os interessados na mimética recomendo a leitura de um livro recente, de Susan Blackmore: "The meme machine" (Oxford University Press, 1999). Nos últimos capítulos, a autora transcende a mimética. Pergunta: Quem sou? E conclui, negando a existência do "eu". Não existe, por detrás do cérebro, uma alma controlando o pensamento. A prática da meditação mostra que não existe um mundo sólido sendo observado por um eu persistente, mas apenas um fluxo contínuo de cambiantes experiências, sem perfeita separação entre observador e objeto da observação. Não há um eu que tenha opiniões. Há, sim, um corpo que diz "acredito em ser agradável aos demais" e um corpo que é (ou não é) agradável aos outros. Há uma criatura biológica que todos os dias come yoghurt, mas não há um eu interior que adora yoghurt. O "eu" não passa de uma ilusão, assim como a consciência e o livre-arbítrio. Dawkins concluiu "The selfish gene", dizendo que, na terra, apenas nós podemos nos rebelar contra a tirania dos genes egoistas. Blackmore conclui sua obra afirmando que podemos ser realmente livres, não porque tenhamos o poder de nos rebelar contra sua tirania, mas por sabermos que não existe um "eu" que possa se rebelar. Descartes primeiro duvidou de tudo, para depois assentar sua filosofia na certeza de sua própria existência: penso, logo existo. No dualismo cartesiano, há um sujeito que se opõe ao corpo. Todavia, à medida que aumenta nosso conhecimento da ação dos neurônios e sinapses, menos se exige a existência de um fantasma para controlar a máquina. A descrição que os neurocientistas estão a fazer do funcionamento do cérebro não deixa lugar para um eu central. Depois de duvidar de tudo, Descartes admitiu uma única certeza: a existência do eu. Paradoxalmente, essa certeza fundamental constitui uma ilusão, como aliás já intuíra e ensina o budismo. O eu é ele próprio um mime complexo, bem sucedido, não porque seja verdadeiro, bom ou belo; não porque ajude os genes; nem porque nos faça felizes. É bem sucedido simplesmente porque os mimes que carregamos dentro de nossos cérebros persuadem-nos a trabalhar por sua propagação; nosso eu ilusório é útil à sua replicação.

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« Responder #4 em: Ter, 29/09/2009 - 18:07 »

Olá!

Primeiro vamos dar os creditos a quem de direito:
http://www.tex.pro.br/wwwroot/assuntosdiversos/mimetica.htm

Segundo,conheço bem as teorias de dawkins,já vi os documentarios dele,é um neopositivista,para ele tudo é causa e efeito,artes e ciencias é tudo produto do cerbero,quando este é apenas instrumento.
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É no ponto central entre o esquadro da RAZÃO e o Compasso a INTUIÇÃO que está tudo o que se perdeu.
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